Redes sociais e saúde mental

Atualizado: 16 de jan.


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De acordo com a Revista Científica Feridas, o Brasil é o “país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo”, as mais procuradas são lipoaspiração e prótese de silicone. O Jornal da USP aponta que cresceu em 140% o número de procedimentos estéticos entre jovens e na pandemia este número só aumentou.


Além disso, já é recorrente a prática de várias pessoas fazerem cirurgias para ficarem iguais às suas próprias versões no filtro do Instagram e outras redes sociais. Há ainda o caso da selfitis, ou seja, o distúrbio associado aqueles que são viciados em tirar selfies e até os alarmantes dados de que possivelmente 330 pessoas morreram fazendo selfie nos últimos 10 anos.


Quero deixar claro que não estou aqui para vilanizar as redes sociais, mas pensar num uso saudável delas. Não estou aqui para questionar nem julgar a escolha que cada um faz sobre sua própria aparência, mas convidá-los a pensar comigo sobre este conteúdo. O psicanalista e psiquiatra brasileiro Jurandir Freire Costa, em seu livro “O Vestígio e a Aura”, afirma que:

“O cuidado de si , antes voltado para o desenvolvimento da alma, dos sentimentos ou das qualidades morais, dirige-se agora para a longevidade, a saúde, a beleza e a boa forma. Inventou-se um novo modelo de identidade, a bioidentidade, e uma nova forma de preocupação consigo, a bioascese, nos quais a fitness é a suprema virtude. Ser jovem, saudável, longevo e atento à forma física tornou-se a regra científica que aprova ou condena outras aspirações à felicidade”.

Ao ler o artigo de Neli Klix Freitas, “Representação, simulação, simulacro e imagem na sociedade contemporânea” (2013), li a afirmativa que o século XXI é o século das imagens. Segundo a série “Dark Net” (“Rede Sombria”), são:


“1,8 bilhão de imagens subidas e compartilhadas diariamente na internet, mais do que todas as imagens criadas nos primeiros dez mil anos da história humana!”

Num estudo realizado pela Sociedade Real para Saúde Pública (RSPH) da Grã-Bretanha, o Instagram foi considerado a pior rede social para a saúde mental dos jovens e diante disto tem havido algumas iniciativas:

E isso tudo, por que? Porque ao mesmo tempo que há um movimento que acredita que devemos aceitar nossa beleza, porque todo mundo é belo, na prática ainda vemos que há padrões socialmente determinados do que é belo e por isso as pessoas correm atrás para tentar se encaixar. O próprio sociólogo Émile Durkheim dizia que viver em coletividade seria o estágio mais evoluído da nossa evolução psíquica.


O fato é que nós, indivíduos, buscamos uma identidade social positiva, construída socialmente por meio da participação em grupos, e isto é estabelecido ao fazermos uma comparação social com os outros, o que pode ser uma armadilha, porque a insatisfação acontece quando notamos que estas pessoas, alvo da comparação, conseguem mais coisas que nós -a chamada privação relativa e isso nos frustra. A cilada é esta, queremos ser únicos, porém aceitos, amados, pertencentes e as redes proporcionam isso, mas é necessário fazer o uso saudável delas, então proponho o seguinte:

  • Lembre que nas redes sociais você só vê uma edição da vida das pessoas, aquilo que elas/seus assessores editaram e escolhem mostrar;

  • Veja por quantas horas do seu dia você usa as redes sociais;

  • Lembrem que temos o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR), que tem como missão “impedir que a publicidade enganosa ou abusiva cause constrangimento ao consumidor ou a empresas e defender a liberdade de expressão comercial”;

  • Ao tomar uma decisão, se pergunte se a escolha é sua ou se foi puramente influenciada por outro fator ou pessoa;

  • E lembre do que nossos pais sempre falam: “você não é todo mundo”.

E aí, o que vocês acham? Conta pra mim!

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